Aminoácidos/BCAA

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Aminoácidos

As gorduras sempre foram vistas como as vilãs da alimentação, mas devemos saber que não é exatamente assim.

Existem também as gorduras consideradas “saudáveis”. São as insaturadas (mono e poli-insaturadas), como o ômega-3 e ômega-6, ácidos graxos poliinsaturados.

Enquanto os ômega-3, conhecidos como ácido linolênico são encontrados principalmente nos óleos de peixes de águas frias e profundas (salmão, arenque, atum e sardinhas), os ômega-6 podem ser encontrados em óleos vegetais (milho, soja, girassol, etc..).  

Ambos são ácidos graxos essenciais, já que não podem ser produzidos pelo organismo humano, sendo necessário, portanto, obtê-los a partir da dieta, e agem em conjunto para regular processos biológicos.

Suas principais funções são: depósito de energia, constituição das membranas celulares, assim como agir como precursores de substâncias importantes ao organismo.

Esses compostos podem atuar de diversas maneiras, sendo os benefícios da ingestão deles já bastante conhecidos, como: redução de danos vasculares, evitando a formação de coágulos (trombose) e de depósitos de gordura (aterosclerose); redução do colesterol total e do LDL sanguíneo na substituição dos ácidos graxos saturados por poliinsaturados; regulação da temperatura do corpo e da perda de água, e atuação positiva no sistema imunológico.

Em relação à ingestão, em sociedades industrializadas, a relação entre ômega-6 e 3 teria aumentado devido ao crescimento do consumo de óleos vegetais ricos em ácido linoléico e redução do consumo de alimentos ricos em ômega-3. Essa relação deve ser adequada, visto que um desequilíbrio na proporção poderia acentuar um estado de deficiência de ômega-3, o que é relatado em vários estudos.

Segundo a American Heart Association-AHA e Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN, a ingestão máxima recomendada de gordura seria 30% das calorias totais da dieta, e a mínima, 20%, sendo a proporção de ácidos graxos saturados, monoinsaturados, e poliinsaturados 1:2: 1,5, respectivamente.

 

BCAA

As unidades básicas da composição de uma proteína são os aminoácidos.

Em humanos saudáveis, nove aminoácidos são considerados essenciais, ou seja, não podem ser sintetizados pelo organismo e, portanto, devem ser ingeridos por meio da dieta. Dentre estes aminoácidos se incluem os três aminoácidos de cadeia ramificada: leucina, valina e isoleucina, encontrados, principalmente, em fontes proteicas de origem animal. São mais conhecidos como BCAAs, sigla derivada de sua designação em inglês: Branched Chain Amino Acids.

Os BCAAs correspondem a cerca de 35% dos aminoácidos essenciais em proteínas musculares. Sendo a massa muscular de humanos aproximadamente 40 a 45% da massa corporal total, verifica-se que grande quantidade de BCAA está presente em proteínas musculares.

Depois de ingeridos, são absorvidos no intestino e transportados ao fígado via circulação porta. No fígado, os BCAAs podem ser utilizados como substrato para síntese proteica.

No organismo, são distribuídos via circulação sistêmica e se depositam, preferencialmente, no músculo esquelético.

A pesar dos aminoácidos não serem a principal fonte de energia para a contração muscular, os BCAAs atuam como uma importante fonte de energia para o músculo esquelético, durante períodos de estresse metabólico. Nessas situações, podem promover a síntese proteica, suprimir o catabolismo proteico e servir como substrato para produção de glicose.

Ao contrário da maioria dos aminoácidos que é metabolizado no fígado, estes são oxidados no músculo esquelético, estimulando a produção de glutamina e alanina, entre outras substâncias.

Como dito inicialmente, as proteínas são sintetizadas no organismo, tendo como matéria-prima os aminoácidos livres disponíveis. Assim, situações que limitam essa disponibilidade podem prejudicar os processos de síntese proteica.  Algumas pesquisas demonstram que a suplementação com BCAA é mais eficiente em promover o aumento da síntese proteica comparada à proteína ingerida na alimentação. Outros experimentos demonstram que os BCAAs são tão eficientes quanto uma mistura com 20 aminoácidos diferentes para evitar a degradação proteica em células do miocárdio ou do músculo esquelético quando submetidas a estímulos catabólicos .

Sobre efeitos terapêuticos, esses aminoácidos podem atenuar a perda de massa magra durante a redução de peso; contribuir no processo de cicatrização; melhorar o balanço proteico muscular em idosos; e promover efeitos benéficos no tratamento de patologias hepáticas e renais.

Especificamente sobre a imunocompetência, a oferta de BCAAs pode ser uma alternativa para reverter a diminuição de concentração de glutamina, por ser substrato para a síntese da mesma.

Em relação à nutrição esportiva, sabe-se que o exercício aumenta imensamente o consumo de energia e promove a oxidação dos BCAAs, tornando a necessidade desses aminoácidos aumentada nessas condições. Além disso, a síntese de proteína muscular é intensificada após o exercício. Assim, estudos comprovam que a suplementação de BCAA antes e depois do exercício tem efeito positivo para diminuir a perda de massa magra provocada pelo exercício e promover a síntese de proteínas musculares.

Quanto à dose de suplementação, embora em vários estudos com exercício em humanos a dose de 5g de BCAA tenha sido usada, a dose mínima para produzir os efeitos positivos precisa ser estabelecida. Além disso, a proporção mais eficaz de cada um dos BCAAs não está definida.

Estudos de toxicidade de BCAA usando animais mostraram que são completamente seguros quando os três aminoácidos são fornecidos numa proporção parecida à proteína animal (2:1:1 leucina : isoleucina : valina). Embora a leucina seja o aminoácido mais poderoso entre eles na promoção da síntese proteica, a suplementação de leucina sozinha pode causar um desequilíbrio entre os BCAAs não trazendo os mesmos benefícios quando fornecidos na proporção correta.

Como as células dos humanos e animais têm um sistema enzimático fortemente controlado para degradação de BCAA, o que for ingerido em excesso é eliminado.

Além da ação em promover o anabolismo proteico muscular, e diminuir o grau de lesão muscular causado pelo exercício físico, os BCAAs são muito utilizados por atletas baseado na idéia de que esses aminoácidos podem também evitar que se atinja o estado de fadiga central, favorecer a secreção de insulina, melhorar a imunocompetência, e aumentar a desempenho de indivíduos que se exercitam em ambientes quentes.

Como consequência destes achados, os BCAAs estão recebendo atenção considerável como um útil e poderoso suplemento alimentar para praticantes de exercícios e esportes.

 

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